
O titânio é amplamente reconhecido por sua excelente combinação de resistência mecânica, baixo peso e resistência à corrosão. Essas características fazem dele um material essencial em aplicações críticas como, aeroespacial, biomédica, química e geração de energia.
Mas, por trás dessa performance, existe um ponto que quem trabalha com titânio conhece bem: sua extrema sensibilidade a elementos intersticiais, especialmente Hidrogênio, Oxigênio Nitrogênio (N).
Em concentrações muito baixas, na ordem de ppm, esses elementos já são suficientes para alterar significativamente o comportamento do material. E o mais importante, essas alterações nem sempre são visíveis ou detectáveis por análises convencionais.
Então, nesse caso, controlar ppms faz toda a diferença.
Cada um desses elementos atua de forma diferente na microestrutura do titânio, mas todos impactam diretamente suas propriedades mecânicas:
- Hidrogênio
Associado à fragilização por hidretos, reduz ductilidade e aumenta o risco de trincas e falhas súbitas, especialmente sob carga ou fadiga. - Oxigênio
Atua como elemento endurecedor. Em excesso, aumenta a resistência, mas reduz drasticamente a ductilidade, tornando o material mais frágil e com menor capacidade de deformação plástica. - Nitrogênio
Também contribui para o endurecimento e pode comprometer a tenacidade, além de afetar o comportamento em serviço do material.

O problema é que o efeito combinado desses elementos pode ser ainda mais crítico. Uma liga de titânio aparentemente dentro de especificação pode apresentar falhas prematuras se esses teores não estiverem bem controlados.
E aqui está o ponto chave: sem medição, não há controle. Muitas vezes, o problema só aparece quando o componente já está em uso e o custo do erro já é alto.
Justamente por isso, medir não tem sido apenas uma opção, mas um requisito técnico e normativo.
Normas como, ASTM E1409 (determinação de oxigênio e nitrogênio em titânio e suas ligas) e ASTM E1447 (determinação de hidrogênio em titânio e suas ligas), estabelecem metodologias baseadas em Inert Gas Fusion (IGF), justamente por ser a técnica mais confiável para quantificar esses elementos em níveis muito baixos.
Na prática, o método é direto e robusto: a amostra é fundida em altas temperaturas sob atmosfera inerte, liberando os gases intersticiais, que são então quantificados por detectores de alta sensibilidade, permitindo resultados precisos, repetíveis e alinhados às normas técnicas.
E o que muda quando esses elementos passam a ser controlados?
Empresas que incorporam a medição sistemática de H, O e N no controle de qualidade do titânio percebem rapidamente impactos claros no processo:
• Redução de falhas mecânicas e retrabalhos
• Maior previsibilidade no processamento e na conformação
• Conformidade com normas técnicas e especificações de clientes
• Mais segurança em aplicações críticas e de alto valor agregado
Ou seja, esses elementos passam a funcionar como indicadores diretos da saúde do processo produtivo.
No fim das contas, falar de hidrogênio, oxigênio e nitrogênio em titânio não é falar apenas de análise química. É falar de confiabilidade, desempenho e segurança.
E é por isso que, cada vez mais, o controle conjunto desses elementos por IGF tem se tornado parte essencial da rotina de quem trabalha com titânio, como a forma mais direta de evitar falhas silenciosas que só aparecem quando já não há margem para erro.
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